Friday, February 12, 2010

O que não é o AMOR



Imagem: Actividade realizada no 6º E, na «Semana do Amor».


O Amor não é a voz estridente
Tão fria que arrepia a mente!

O Amor não é a gargalhada solta
Senhora do MUNDO, que anda louca
E ensurdece o ouvinte naufrago

Num barco de vaidade presunçosa
Impostora que mostra o que não é

O AMOR. O Amor não é o empurrão
Para chegar ao cimo do TUDO
Que é NADA. O Amor apregoa-se
Mas não se pratica nem se perdoa.

O Amor vive-se num monólogo
No meio de gente...

Por que não parar um pouco?
Por que não pensar no TODO,
Modo de viver em comunhão?

O AMOR não é dança, mas dança-se;
Não é música, mas toca ao coração;
Não é chocolate, mas adoça o ser;
Não é manta, mas aquece-nos a alma;
Não é gelo, mas refresca-nos do calor;
Não é palavra, mas faz-nos ler muito
Nos olhos, nos gestos...
Não é profissão, mas estrangula o profissional

Porque AMOR não é exposição.

É no silêncio que se vivem tantos sons encantatórios!

Numa sala o Amor não é a imposição
Que ensurdece os ouvintes
O Amor não é a gargalhada
Desentoada que fura os tímpanos
Dos naufragos à procura de rumo

O Amor não é a voz estridente
Para se fazer sentir gente.

Ah! O Amor é o trabalho partilhado,
Sem público, mas repleto de beleza!

Isabel Montes

18 comments:

Isabel said...

Agradeço, com sinceridade, as mensagens que recebi, no meu e-mail.
Faço questão de responder à pergunta "Porquê a opção de 'O que não é o Amor?'. Porque o habitual é escrever-se sobre «o que é o amor?». E se partíssemos do que não é, daquilo que vemos, ouvimos e não gostamos - não necessariamente do vivido, chegaríamos certamente à verdadeira essência do sentido das coisas!

Saudações poéticas e FELIZ DIA de S. VALENTIM,

Isabel

Ricardo Mainieri said...

Obrigado pela visita a meu blog.
É Carnaval no Brasil, mas como não gosto estou em relax numa ótima cidade chamada Curitiba, no estado do Paraná.
Calor por aqui!

Abraços.

Ricardo Mainieri

ROGEL SAMUEL said...

que é amor
e o que ele é
você, amiga, bem o sabe
neste carnaval
o calor brasileiro
o amor português
felicidades

Djabal said...

Adorei a forma como você explorou este sentimento tão vasto. Parece nada restar para nós outros.
Atrevo-me a citar um americano:" Pais e mestres,eu pergunto: o que é o inferno? Sustento que é a dor de não poder amar".
E mais outro, agora francês: "O poeta se faz vidente por meio de um longo, imenso e racional desregramento de todos os sentidos. Todas as formas de amor, de sofrimento, de loucura; buscar a si, esgotar em si mesmo todos os venenos, a fim de só reter a quintessência."

Digo assim o quanto amei sua poesia. Explorando a sua inexistência e explicando a sua busca. Meus parabéns. Beijos.

Isabel said...

Ricardo,
É Carnaval no Brasil.
As caravelas portuguesas
O sabem tão bem!
No sabor do calor
De uma lareira acesa,
Festejo o Carnaval
Ao sabor das palavras.

Abraço
Isabel Montes

Isabel said...

Rogel Samuel,

Que alegria é ler sua presença no meu espaço.

Beijo português,
Isabel Montes

Isabel said...

Djabal,

Fiquei muito feliz com seu comentário. Que palavras sábias vindas do outro lado do oceano!
Seja bem-vindo ao meu mundo da escrita!

Beijo poético,
Isabel Montes

Úrsula Avner said...

Oi Maria,

o texto sobre o amor é bem expressivo, reflexivo. Obrigada por sua visita e interesse em seguir o meu blog de poesias infantis. Quando puder, conheça também o " Sempre Poesia" onde posto só para adultos. Seja sempre bem-vinda. Bj com carinho,

Úrsula

Sonia Schmorantz said...

Gostei das definições que dá ao amor, há coisas que aprendemos pelo que não devemos fazer, sua inversão foi muito interessante.
beijos, ótima semana

Isabel said...

Obrigada, Úrsula!

De facto, gostei muito do seu trabalho!
Claro que irei visitar «Sempre Poesia».

Beijo com um toque de poesia,
Isabel

Isabel said...

Olá, Sonia!

Gostei que gostasse do meu texto (sorriso)! Eu também adorei o seu espaço.

Seja bem-vinda!
Continuação de uma feliz semana!

Isabel

entremares said...

Dizes bem... "o que não é o amor"...

Apetecia-me destacar algo do que escreveste, mas não o vou fazer, porque sei que quando escrevemos algo, o gostamos de sentir como um todo, não como um album de musica de onde se possa retirar um "single".

mas de qualquer dos modos... sim... o silêncio é uma porta aberta para ajudar a compreender o amor...

Tudo de bom para ti,
Rolando

Isabel said...

Boa noite, Rolando!

Que mistério ficou no que não destacou... Adorei a comparação da escrita com o álbum de música!

Grata pelas suas palavras!

Saudações poéticas,

Isabel Montes

cid simoes said...

Venho retribuir a sua visita. Obrigado pelo seu comentário.

Margarida Fonseca Santos said...

Que bonito texto para encontrar, assim, ao abrir o blogue. Entra por nós adentro... Parabéns! Um grande beijinho

Isabel said...

Que alegria me deu, Margarida! Quanta honra!

Bem-haja!

Saudações poéticas,
Isabel Montes

Isabel said...

Hoje, li uma pequena maravilha "postada" num outro espaço, também meu. Foi como se uma mensagem tivesse chegado, através de Ricardo Calmon. MUITO OBRIGADA!

PERCEBI DE GIRASSOIS ATRAVÉS DE CAMPOS MEUS,UM INFINITO JARDIM,AQUELE EM QUE TÃO SÓMENTE PROLIFERAS E COLORES!NESSA VIDA QUE PURA MAGIA ÉÉÉÉÉÉ!
EM DIA ESSE ENSOLARADO E DOURADO,ASPIRO SENSIBILIDADE TUA ,PARA ALGUM DIA SER COMO VC!LUZ E CORES!MULHER SENSEL E ESCRIBA!TUAS MÃOS OSCULO E PESSOA TUA REVERENCIO!
VIVA LA VIDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

geraldoepoesia said...

Isabel,
Obrigado por visitar meu blog. Nunca estive em Portugal, mas vez por outra me visita um lusitano que me faz viajar além mar. Tenho poesias que homenageiam Flor Bela Espanca, a cidade de Lisboa e o Bonde 45, fala de Saudade que nasceu na sua terra mater.
Quando você aborda o que não é o amor, lava profundamente a alma e nos transmite, paradoxalmente, a essência do sentimento. Parabéns pelo trabalho!